A saúde mental no trabalho é um assunto que deve ser discutido com frequência e, com o anúncio do cantor Livinho, sobre a pausa na sua carreira, em fevereiro deste ano, trouxe de volta esse debate tão importante.
Apesar de ser um tema mais comentado nos dias de hoje, ainda existem muitos tabus que evitam que esses problemas sejam tratados de uma maneira mais ampla.
Pensando nisso, preparamos um conteúdo para falar mais sobre a saúde mental no trabalho e as maneiras de evitar que esse problema atrapalhe a sua vida profissional e pessoal, confira!
Os perigos do desgaste emocional
No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que esse problema não atinge apenas as pessoas famosas. Por exemplo, a doutora Paula Sian, precisou se afastar depois de viver uma sequência de pressões que acabaram causando um colapso mental.
“Foi o acúmulo: muita cobrança, vida pessoal desorganizada, um relacionamento tóxico. Até que eu tive um ataque de pânico no meio de uma consulta”, diz a médica.
Após esse episódio, ela foi diagnosticada com síndrome do burnout, que é uma condição associada ao esgotamento profissional.
O aumento dos casos
De acordo com os dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em dois anos, os afastamentos temporários por conta da saúde mental no trabalho saltaram de 201 mil para 472 mil registros no Brasil.
As principais causas para isso é o estresse, a ansiedade e a depressão, que podem se manifestar de maneira pontual ou recorrente, de acordo com cada caso.
No mundo, 15% da população economicamente ativa sofre com transtornos mentais, o que representa um custo anual de 1 trilhão de dólares em perda de produtividade, segundo estimativas da OIT.
Segundo o psiquiatra Douglas Paschoal, especialista em saúde coletiva, fatores como: metas inalcançáveis, assédio moral e ambientes tóxicos contribuem para o adoecimento das pessoas presentes no local.
“Não se trata apenas de carga horária. O tipo de ambiente, as relações interpessoais e até a falta de propósito podem adoecer alguém”, afirma.
Os problemas enfrentados pelas figuras públicas
O anúncio do cantor Livinho, no início deste ano, foi um grande impulso para que esse tipo de assunto voltasse a ativa, já que ele afirmou que a pausa na sua carreira seria para focar e cuidar da sua saúde mental.
Nem mesmo quem está no topo, está imune a esses problemas. Como é o caso de Tite, ex-técnico da seleção brasileira, que anunciou em 2022 que daria uma pausa na carreira por tempo indeterminado.
“Conversando com minha família e observando os sinais que meu corpo estava emitindo, decidi que o melhor a fazer agora é interromper minha carreira para cuidar de mim pelo tempo que for preciso”, escreveu, em uma nota divulgada pelo seu filho nas redes sociais.
O Corinthians, que na época negociava a contratação do treinador, informou que as conversas estavam avançadas, mas foram interrompidas após a decisão.
O caso de Tite e Livinho se soma a outros no mundo esportivo e aumentam as discussões sobre saúde mental no trabalho, como o da ginasta Simone Biles, que abriu mão de competir em várias provas nas Olimpíadas de Tóquio em 2021, após enfrentar os “twisties”, um tipo de bloqueio mensal que prejudica a percepção de movimento.
Outro exemplo foi o do surfista Gabriel Medina, que pausou a sua carreira no circuito mundial em 2022 para que pudesse cuidar da sua saúde mental, após enfrentar uma série de pressões e desafios pessoais.
Celebridades como Whindersson Nunes, Lucas Lucco, Zé Neto e Demi Lovato também já usaram as suas redes sociais para falar abertamente sobre os transtornos emocionais, contribuindo para quebrar o tabu em torno desse tema.
Para o psiquiatra Douglas Paschoal, o exemplo de figuras públicas pode encorajar outras pessoas a buscarem ajuda.
“Quando alguém com visibilidade fala sobre isso, ajuda a validar o sofrimento de quem está em silêncio”, diz o especialista.