Nos dias de hoje, tornou-se comum ver vídeos e conteúdos nas redes sociais de crianças sofrendo com a adultização da beleza a partir do uso de maquiagens e cuidados com a pele usando diversos produtos.
Por mais que muitas pessoas não vejam problema nesse tipo de situação, é preciso ter consciência de que esse processo pode ser muito prejudicial para quem faz parte dela e é essencial que seja levada mais a sério pelos adultos.
Por conta disso, é necessário que esse assunto seja comentado, apresentando todos os riscos da adultização da beleza para as crianças. Pensando nisso, preparamos um conteúdo sobre o assunto, confira!
Quais os principais problemas da adultização da beleza das crianças?
Pelo fato de ainda estar se desenvolvendo, a pele da criança é bastante sensível e, por conta disso, ela é mais suscetível a sofrer com irritações causadas pelo uso de produtos de beleza inadequados para certas idades.
Além disso, a exposição prolongada a certos tipos de substâncias também pode implicar em riscos causados pela adultização da beleza, como os distúrbios endócrinos, alérgicos e até mesmo oncogênicos (que causam tumores).
A dermatologista Paula Sian explica que a pele das crianças é mais seca e possui menor proteção que a de um adulto.
“Produtos usados para skincare, esmaltes e maquiagens são químicos, e isso pode ser absorvido pela pele da criança” — Diz Paula.
A médica também aponta que determinados itens de beleza possuem metais pesados e substâncias químicas que podem cair na corrente sanguínea.
Além disso, ainda não há estudos sobre como os hormônios presentes em alguns produtos podem ter efeito no corpo da criança, provocando, por exemplo, desenvolvimento ou puberdade precoce.
Qual a idade recomendada para começar a usar esses produtos?
Existem alguns cosméticos que possuem contraindicações, sendo necessário ficar sempre atento aos componentes presentes neles.
Produtos que são feitos especialmente para crianças são produzidos para ficar mais na superfície da pele e não penetrar na corrente sanguínea.
Confira as principais recomendações da doutora Paula Sian:
- Maquiagem a partir dos 12 anos;
- Produtos de cuidados com a pele: a partir dos dois anos, desde que seja específico para crianças;
- Protetor solar e cremes hidratantes: a partir dos seis meses, desde que seja indicado para crianças.
A dermatologista reforça que as recomendações podem variar de acordo com a idade e o tipo de pele da criança, evitando a adultização da beleza infantil com produtos inadequados.
“Tem criança com 11 anos que, por exemplo, já menstrua e tem a pele mais próxima à de um adulto. Há crianças com a mesma idade que têm a pele mais fina. Então, às vezes, a gente privilegia mais o hidratante, o protetor solar e, se quiser usar alguma maquiagem, que seja algo muito pontual, como um batom ou um esmalte para criança”, diz a profissional.
Já Júlia Galvão, dermatologista e preceptora do ambulatório de Dermatologia Pediátrica da Santa Casa BH e do Hospital das Clínicas (HC-UFMG), pontua que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera a comercialização da maquiagem infantil para crianças acima de 3 anos.
Neste caso, os produtos possuem regras e composições mais rigorosas para que possam ter essa liberação.
Como comprar o produto adequado para a pele da criança?
A orientação de um dermatologista é fundamental para a escolha de produtos ideais para cada tipo de pele e idade.
A Anvisa reforça que a escolha de marcas confiáveis que tenham histórico como fabricantes de cosméticos infantis é fundamental.
Também é importante verificar se o produto apresenta o número de registro ou número do processo na embalagem.
Veja algumas dicas da Anvisa para seguir no momento de comprar produtos infantis
Para evitar a adultização da beleza e todos os maléficos que o uso de produtos inadequados podem causar na pele das crianças, é preciso seguir algumas dicas no momento de escolher quais produtos infantis comprar. Veja:
Maquiagem infantil
Um requisito essencial para a maquiagem infantil é que ela seja facilmente removida da pele com uma simples lavagem com água, sabonete, xampu e produtos semelhantes. E, a destinação única permitida é colorir a pele ou lábios.
Cada um dos produtos devem ser submetidos a testes específicos antes da comercialização para comprovar que não irrita e não causa reações alérgicas na pele.
A Anvisa define a faixa etária permitida, portanto, é importante verificar na rotulagem para qual idade cada produto pode ser destinado.
Sabonetes, xampus e condicionadores infantis
O cabelo de uma criança também merece cuidado especial. Para isso, lave-o com xampu infantil e, caso seja necessário ou desejado, utilize o condicionador.
Crianças devem usar sabonetes infantis líquidos ou em barra apropriados para uma pele mais delicada.
Como o uso de sabonetes e irritações, a regulamentação vigente define a alcalinidade livre máxima para esses sabonetes.
Em caso de contato com os olhos, os produtos devem ser imediatamente retirados, enxaguando o rosto e os cabelos das crianças. Os cuidados no uso desses produtos devem ser redobrados para crianças alérgicas.
Protetores solares
É muito importante o uso de protetor solar diariamente nas crianças para evitar queimaduras causadas pelos raios do sol.
O fator de proteção (FPS) de um produto a ser utilizado deve ser conforme o tipo de cada pele ou seguindo recomendação médica. Mas, antes de aplicar o produto em crianças com menos de seis meses, um médico deve ser consultado.
Já os banhos de sol, devem ser restritos ao tempo e aos horários indicados pelo pediatra. O protetor solar deve ser reaplicado, no mínimo, a cada duas horas ou conforme orientação no rótulo do produto.
Em praia ou piscina, mesmo que o produto seja resistente à água, os pais devem reaplicá-lo na criança após a sua entrada na água ou após muita transpiração. Mesmo com esses cuidados, a exposição solar deve ser evitada no período das 10h às 16h.
Esmaltes infantis
Esmaltes permitidos para crianças devem ter a indicação de que servem unicamente para colorir as unhas. Devem, ainda, ser removidos com água e sabonete.
Por não possuírem solvente, o cheiro dos esmaltes infantis é bem diferente do cheiro dos esmaltes para adultos.
O fabricante de cada produto deve realizar testes para avaliar o potencial de irritação e sensibilidade. Deve-se também testar se os ingredientes são tóxicos se levados à boca.
O rótulo ainda tem que constar as orientações e advertências de uso, e o produto só deve ser utilizado por crianças a partir de 5 anos.
Batons e brilhos labiais
Os batons e brilhos labiais não são recomendados para o uso diário. Como nos demais produtos infantis, a fórmula deve ser composta por ingredientes seguros.
Antes de comercializar esses produtos, a empresa deve comprovar, junto à Anvisa, a ausência de irritabilidade e sensibilização da pele, para avaliar se os ingredientes são tóxicos.
O rótulo deve possuir indicações de segurança específicas, incluindo a indicação da faixa etária de uso do produto. Não é permitido indicar os produtos para crianças menores de 3 anos.
A partir dessa idade, o produto deve ser aplicado por um adulto e, para crianças maiores de 5 anos, o uso deve ser supervisionado.
Desodorante para pés e axilas
Os desodorantes infantis não podem conter ingredientes de ação reguladora do fluxo de suor, ou seja, antitranspirantes.
Também precisam comprovar, antes de sua comercialização, que não causam reações alérgicas nem irritação na pele e são destinados para crianças a partir de 8 anos.
O ambiente familiar também pode influenciar
Paula Sian reforça que o uso excessivo de produtos de beleza por crianças pode estar associado a questões de autoestima e que o ambiente familiar pode influenciar nesse processo.
“Uma criança pode estar mais suscetível a isso se viver num ambiente familiar muito crítico. O que preocupa é a relação com o exagero da vaidade e da adultização da beleza das crianças; elas já estão sendo massacradas por tanta pressão para serem perfeitas e bonitas”, lamenta.
As crianças podem aprender pelo exemplo e, por isso, os responsáveis devem saber como influenciar de modo que o filho entenda que algumas coisas são indicadas apenas para os adultos. Além disso, o acesso precoce às redes sociais também pode ser um fator determinante.
“Vídeos estimulando o uso de dermocosméticos despertam o interesse cada vez maior por esses produtos. A troca de entretenimento é fundamental”, conta Júlia Galvão, que também é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).